As crianças devem aprender com os pais e na escola: Princípios


As crianças devem aprender com os pais e na escola: Princípios. “Antigamente, cobrava-se que a escola passasse às crianças apenas competências técnicas, enquanto a família ficava com os valores e as questões de afetividade. Só que, cada vez mais, pai e mãe têm que trabalhar muito para dar conta da sobrevivência, e seus filhos acabam ficando grande parte do tempo na escola.

Portanto, mais do que nunca, a tarefa precisa ser conjunta”, observa o psiquiatra Augusto Cury.

Fazer por merecer

Não é uma situação rara: no aniversário do filho mais velho, os pais bem-intencionados compram também uma lembrança para o caçula – o coitadinho ia ficar só vendo o irmão com brinquedos novos? “Um filho que faz aniversário merece, pela data, ganhar presente.

O outro tem de aprender que o aniversário não é dele e pronto, vai ficar bem. Mas os pais viciam os dois a receber sempre”. “Da mesma forma, criou-se o costume de dar um carro para o jovem que faz 18 anos. Que esforço ele fez para ganhar essa recompensa?”.

Ao premiar sem mérito, corremos o risco de criar uma geração de mimados que não sabe o valor do empenho e vai cobrar, lá na frente, que a promoção recebida pelo colega de trabalho seja estendida a ele também. Ou, então, não vai saber lidar com a frustração de não ter sido agraciado.

Sentir e mostrar gratidão 

A questão tem sido debatida à exaustão: os pais, com pouco tempo (e muita culpa), atolam as crianças com presentes e tudo que elas desejam.

Os filhos, por seu lado, exigem cada vez mais. “No passado, os pais erravam sendo autoritários. Atualmente, erram sendo permissivos e ausentes. Se antes diziam ‘não’ constantemente, agora, com raras exceções, se deixam explorar por filhos bombardeados por uma indústria que estimula o consumo desenfreado”, avalia Cury. Por isso, é urgente ensinar às crianças e aos adolescentes a importância da gratidão.

Do ato de olhar no olho do convidado que chega para a festinha de aniversário e, no lugar de já ir perguntando “Trouxe o que de presente?”, agradecer pela presença, pelo abraço e, por fim, pelo pacote que ele oferece – seja o que for que tiver dentro, pois demonstra que ele pensou em você. Não basta apenas um “obrigado” educado – é preciso ter um sentimento sincero.

Saber lidar com as próprias emoções

“Pais que são manuais de regras sobre o certo e o errado estão aptos a lidar com máquinas, não a formar mentes brilhantes. Grande parte deles nunca dialogou com os filhos sobre suas emoções”, aponta Cury.

Agora, se é assim em casa, o que dirá no ambiente escolar, acostumado a entupir os alunos de informações e conceitos. Pensando nisso, algumas instituições têm incorporado dinâmicas para facilitar esses cuidados. “O professor cultiva um ambiente em que o aluno sente que está sendo entendido e consegue ver uma saída para as próprias frustrações”. Mas para que o processo seja sedimentado é importante que a troca entre a escola e os pais se mantenha constante – por meio de reuniões e até grupos de estudo.

 

Fonte: educarparacrescer.abril.com.br