A importância do sono na aprendizagem

Cabeça no mundo da lua em plena sala de aula, notas em queda livre, falta de disposição para tudo, bagunça, brigas e discussões em classe – se esse quadro lhe parece familiar, seu filho pode estar dormindo menos do que deveria. Ou na hora errada.

O culpado de todos esses problemas é o relógio biológico, um complexo do sistema cerebral de percepção do tempo. Ele é responsável, entre outras coisas, por controlar as horas de dormir e de ficar acordado. “Graças a esse mecanismo, sabemos se ainda é dia ou noite mesmo sem ver o sol. Também por causa dele sentimos fome e vamos para a cama todo dia mais ou menos na mesma hora”, explica o neurocientista Fernando Louzada, um dos maiores especialistas brasileiros no assunto.

Ao longo da vida, mudanças hormonais alteram nosso sistema interno, e os ponteiros do corpo passam a não bater em compasso com os do relógio de parede. Na infância, os ritmos biológicos tendem a se adiantar. Por isso, as crianças acordam os pais antes mesmo de o sol aparecer. Na adolescência ocorre o contrário: os jovens só sentem sono tarde da noite. Então, sofrem para sair da cama pela manhã. “O problema é que, geralmente, as aulas nessa faixa etária são logo cedo, num horário em que o corpo preferiria estar dormindo”, aponta Louzada.

Em períodos de provas e durante o próprio vestibular, os problemas de falta de sono costumam se agravar. No ímpeto de tirar o atraso, não são poucos os que optam por varar a madrugada na véspera da avaliação para estudar tudo o que o professor passou. A neurologista Andréa Bacelar garante que esse é um erro enorme. “A consolidação da memória acontece quando a pessoa está dormindo. Se ela não dorme, muito do que estudou não vai ficar devidamente registrado, por mais que se esforce.” Além disso, segundo a médica, na hora da prova o aluno vai estar sonolento e com os reflexos neuronais lentos, o que comprometerá seu raciocínio.

Daí a importância de garantir boas noites de sono para o seu filho.

Quantas horas de sono meu filho precisa ?

Depende de que etapa da vida ele se encontra:

Criança: mais de 10 horas
A imaturidade neuronal faz com que ela precise de mais tempo de sono. Um recém-nascido chega a dormir cerca de 20 horas por dia. A partir dos 3 ou 4 anos de idade, são necessárias de 11 a 12 horas de repouso ininterrupto. Aos 9 anos, a criança já pode dormir só dez horas, mas não antes dessa idade.

Adolescente: de 8 a 9 horas e meia
O desenvolvimento do cérebro prossegue acelerado na puberdade. Nessa fase, porém, o jovem depende do sono principalmente para crescer. É a idade daquele estirão, e o hormônio do crescimento, produzido durante a madrugada – e só com o organismo adormecido profundamente -, faz a diferença. Além disso, a garotada precisa estar descansada para administrar todas as transições da adolescência.

Adulto jovem: de 7 a 8 horas e meia
O sono perde sua função de maturação neuronal na fase adulta, mas continua sendo imprescindível para refazer os processos fisiológicos, mentais e cognitivos. Dormir o suficiente significa se proteger de doenças e manter a capacidade de desempenhar funções corriqueiras, principalmente em relação ao aprendizado.

Pessoas de 60 anos ou mais: de 6 a 7 horas e meia
Com o avanço dos anos, a necessidade de descanso diminui. Com pouco mais de seis horas de repouso por noite, pessoas com mais de 60 anos costumam viver bem, sem maiores déficits.

Fonte: educarparacrescer.abril.com.br

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