Truques e hábitos para melhorar de vez sua memória

Campeão da Memória nos Estados Unidos Nelson Dellis indica algumas maneiras de desenvolver a capacidade de memorizar informações

Em qualquer época da vida, é possível mudar e melhorar suas funções. O importante, é estimular a mente para retardar ao máximo o declínio cognitivo, que inevitavelmente acontecerá na velhice. A seguir, você confere alguns truques e hábitos para lembrar-se melhor das coisas e manter a cabeça saudável.

Associar o que se quer lembrar a uma imagem

A técnica usada por Dellis para memorizar cartas, números, palavras e quaisquer outras informações é relativamente simples, apesar de exigir treino. Segundo ele, para conseguir recordar das coisas com mais facilidade, basta associar a informação a uma imagem. “Nosso cérebro lida melhor com imagens do que com informação abstrata”, disse durante sua apresentação. Para decorar a ordem das cartas de um baralho, por exemplo, ele relaciona cada uma delas a alguém ou algo. O naipe de Copas é representado por pessoas de sua família e entes queridos, sendo que o Rei é seu pai. Depois, ele cria situações em sua mente para fixar a informação. Assim, ao se valer dessa pequena “história” imaginária, ele consegue se lembrar das cartas na ordem certa. Esse artifício, de criar cenas em sua cabeça, pode ser usado para memorizar várias outras informações, como sequências de números e nomes. Quanto mais marcantes forem essas representações, melhor, para chamar a atenção do cérebro. Em um exercício, durante o workshop, Dellis pediu que os presentes tentassem gravar um grupo de palavras desconexas. Duas delas eram “girafa” e “pé”. Ao invés de sugerir que imaginassem o animal e o membro separadamente, ele levou a plateia a pensar em uma girafa com um pé humano. Essa representação bizarra, recheada de detalhes em sua descrição, foi o suficiente para que todos conseguissem fixar na memória estes termos (além de outros propostos no exercício). Para o campeão de memória, grande parte daquilo que pessoas saudáveis esquecem fica para trás por dois motivos principais: ou a informação não recebeu muita atenção ou sua representação criada na mente não foi forte e detalhada o suficiente.

Estocar as informações em diferentes “lugares” no cérebro

Mas o que fazer com tantas representações “soltas” em nossa mente? Nelson Dellis explica que não adianta associar imagens a coisas, se, na hora de buscar a informação, não souber onde ela está guardada. Ele compara nossa cabeça a um computador, em que é necessário separar bem os arquivos em pastas organizadas, para evitar confusões e a perda de dados. É aí que entra mais um exercício de criatividade. As imagens criadas devem ser “acomodadas” em algum espaço que a pessoa frequente ou já tenha frequentado, por exemplo, a casa onde vive, a sala onde trabalha, um parque ou, simplesmente, o ambiente em que está neste exato momento. Essa noção espacial é importante para compartimentar as informações na mente e torná-las mais acessíveis, quando se fizerem necessárias. Para lembrar as coisas, é preciso que suas representações sejam projetadas em pontos específicos do ambiente, como uma janela, o fundo da sala ou a porta, que serão o “palco” onde a cena imaginária deve acontecer. Assim, as memórias desejadas poderão ser resgatas no caminho percorrido em pensamento. Voltando ao exemplo da girafa com pé humano: fica mais fácil lembrar as palavras “girafa” e “pé” se essa imagem grotesca aparecer na porta do banheiro da sua casa, do que se essa representação não for posicionada em um local específico.

Fazer exercícios mentais

Seja memorizando a ordem de um baralho, seja fazendo palavras-cruzadas, seja aprendendo um novo idioma, o exercício mental é essencial para manter uma mente saudável. De acordo com a neurologista Sonia Brucki, as atividades mnemônicas são usadas desde a Grécia antiga e até hoje mostram resultado positivo no desenvolvimento cognitivo das pessoas. Ela afirma que estudos têm revelado a importância da atividade intelectual para a melhora da memória e das funções cerebrais. A atividade deve ser escolhida de acordo com as preferências pessoais de cada um. O importante é não ficar parado.

Fazer exercícios físicos

O clichê “corpo são, mente sã” tem sua razão de existir. Nelson Dellis e Sonia Brucki concordam que as atividades físicas são essenciais para que a o cérebro funcione bem e consiga reter mais informações. Sonia explica que os exercícios são importantes porque melhoram a função cardiovascular, aumentam o fluxo sanguíneo do cérebro, promovem crescimento dos neurônios e aumentam as conexões da região do hipocampo, responsável pela memória. Ela ainda citou diferentes estudos que mediram o declínio cognitivo com o passar do tempo. Um dos resultados mostrou que pessoas que praticam atividade física regularmente têm 38% menos risco de baixa nas funções cognitivas, em relação a sedentárias. Nelson Dellis adotou a escalada e o cross-fit para manter a forma.

Cuidar da alimentação

A alimentação também é um fator importante no processo. Aa melhor opção de cardápio é aquela que inclui muitos vegetais, alimentos ricos em ômega 3 e ômega 6 (atum, salmão e arenque), vitamina E (óleos vegetais e sementes) e ácido fólico (feijão e fígado). As dietas mediterrânea e mind (junção da mediterrânea e a DASH) também foram citadas por Sonia como opções que têm surtido efeitos positivos para a saúde do cérebro. A ideia básica desses programas alimentares é reduzir o máximo possível de ingredientes industrializados (doces, cheios de sódio e gordurosos) e consumir muito peixe, frutas, verduras, legumes, grãos integrais, gorduras boas (não saturadas) e uma taça de vinho por dia.

 

 

 

Fonte: exame.abril.com.br

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